quinta-feira, 8 de março de 2012

O diário da menina morta

Estava eu vivinha da silva. Embriagada e calada. Até que algo em mim foi me deixando aos pouquinhos e de supetão num clarão de consciência, voltei a ser estrela ou estela. Vela quem sabe?

Então o ponto de partida vinha do nome. Estela. Estela se estatela, estela tem cara de costela, assim as crianças gritavam belo bairro quando eu mal completava o sete anos de azar, e eu também uma criança que nada fazia. Acovardava-me pela sensação de ter mais de um, e eu nem tinha cara de costela, fiquei um dia olhando-me por horas imaginando costelas. Então, um dia depois de alguns anos perguntei para um daqueles meninos, e ele disse: Estela era só rima. Hoje eu ria. Como prosa e rosa. Quanta inocência, quanto dilema. Anos se passaram e eu virei: Estelinha para alguns.

Andava uma noite pela rua, e a chuva deixa as pessoas doidas, trânsito caótico e guarda-chuvas viram apoteóticos. Sabia que, então de intuito o que tornava revelador era o aspecto molhado da cidade, vi uma menina que mijava em frente aos correios naturalmente. Junkie ou não, fazia seu xixi. Bom, é claro que era noite e os correios não estavam em funcionamento. O ideal.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

xxxxxxx


beijei o crocodilo

porque sapo não quis

e o príncipe fugiu

restando só as águas

marejadas

que

de

manso

acalmam

meu

corpo resoluto

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

XXXXXXXX


a vida é precoce
não se engane
o choque
vem depois
do toque

Cinco dedos


Quando fostes embora
Sem bater a porta
Sem aviso ou regra de consciência

Sentei
Sondei
Todo meu movimentou acalentou
Em um tchau que não dei

Juntei meus dedos
Sequei meus olhos
Viajei como fantasma
Tive asma

Espero que no pouco domínio de vida
Que eu tenha seca sem venda
Eu posso em algum lugar
Novamente vê-la
E simplesmente
Abanar pelo adeus
Que nem o esforço maior
Consigo dar

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Anedota II

Hoje me convenço
Do que eu penso

Tento anular o lar

Viajo como monstro
Sou dos sete mares
Urgente e presente
Inteira aguada
Feia feia feia feia feia
Seria sereia do mar


Prefiro não falar enquanto
De saia saio conversando com o mundo
Sobretudo, sobre tudo

Armário. Cadeado. Pelado. Cardume. Sum. Tum tum tum.

O ritmo me envelhece

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Anedota I

Talvez tenha sido muito bom que não tenha me conhecido. E não vai conhecer. Cá estou, outra.
Assim dentre tanto o que há, nem o pouco me aquece. Nem o caos. Nem eu esbraveço por ser ainda do avesso. Quinze dias. Vivi quinze dias de dois lados. O intenso e o mortal.

Ando anestesiada: o cheiro da chuva. Reflexo do asfalto. Uísque amargo. Veludo. Tudo com tudo. Minessérie em série.

Cristal. Sal. Castiçal. Amal.

Pego tudo como se fosse trombeta: aos céus! aos léus, véus!

Moradia, ventania. E nada que me faça ver o que vejo hoje. Sem noite.

Bom não me conhecer. Já sou outra em aspecto, mais quieta e não engulo rãs. Mais má comigo. Boa com quem ama. Talvez um querer sem me satisfazer. O universo é quem me guia, estou diante dele como se fosse um semeador.

E por mais que olhe aos lados. O que espirra não é agradável; como pelo de gato.
Planto-me.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

II

Assim eu ia. Desde que Susan foi embora com todas as bóias entendi o redemoinho. Eu bem que esperava que ela entrasse pela porta e dissesse: eu voltei e parei. Mas sabia que não iria acontecer. Então me frustrava como fruta caída do pé e cada tombo de pensamento me fazia voltar ao dia que eu conheci Susan, a vi e a estudei. E mesmo em alguns anos
rok juntos não a decifrava centímetros. Seu refletor havia queimado e estava atrás de consertá-lo, foi assim que a conheci. Em uma loja de elétrica, eu iria comprar uma resistência nova nesses dias mais longos. Depois que susan saiu, fui para o mar, visitei meu pai, um velho marinheiro aposentado. Só havia sobrado meu pai de todos. E a chuva nem dizia nada. Lá estava eu e o velho. Ficamos horas nos olhando em silêncio e ouvindo o detalhe da chuva. A água ferveu e ele então disse: faça o café. Já com as xícaras dispostas em cima da mesa eu disse: Susan foi embora. Ele então me olhou por um tempo, seu olho maquiado de água, olhar liquefeito, falou de toda a saudade sua e de que eu estava na mesma tripulação. Susan começou grande e foi diminuindo conforme sua distância permitia. Depois dela eram caminhadas lentas. Verduras murchas. Tomates podres que eu esquecia na cesta. O estado de estar só configura o ambiente. Lembro-me dos seus barulhos, então me tornei ótimo em transmudar o silêncio. E tudo eu partia desse pressuposto de mudança. E de repente é você um homem vendo e o amor lhe dando tchau. Abano do mesmo jeito que eu tinha meus segredos e o tempo contado nos dedos. Então, dormia e acordava querendo ser transparente para o mundo e dizendo a mim mesmo que eu não entendia nada do que acontecia. E que falo é da flor.




Rok – anos em polonês, roque do xadrez, rock do rock and roll, e tudo minimizado pelo som de um rok escutado. Quero uma torre que me defenda.